As movimentações no Paço Municipal de Palmas, desde o afastamento do prefeito Eduardo Siqueira Campos, escancararam um redesenho político que muitos avaliam como um racha na gestão — embora o prefeito interino, pastor Carlos Velozo, negue qualquer crise. Após prometer a secretários e vereadores que não faria mudanças, o prefeito em exercício exonerou nesta terça-feira (1º) dois dos nomes mais próximos de Eduardo: o Secretário-Chefe de Gabinete, Carlos Antônio da Costa Júnior, e o Procurador-Geral do Município, Renato de Oliveira.
Para o lugar de Carlos Júnior, o escolhido foi Fábio Bernardino da Silva, vice-presidente nacional do Agir — partido do pastor Carlos Velozo. A nomeação reforça a força do Agir, que passa a ocupar cargos de comando e imprimir seu ritmo na gestão interina.
Já a Procuradoria-Geral do Município passa a ser ocupada por Priscila Alencar Veríssimo de Souza, advogada com registro na OAB do Distrito Federal, que trabalhou no gabinete do deputado federal Ted Conti (PSB-ES) de 2019 a 2021. Além do currículo técnico, Priscila é apontada como ligada ao Grupo Monte Sião, o mesmo núcleo religioso do prefeito interino, o que garante alinhamento não apenas técnico, mas também de confiança e proximidade espiritual.
Outro detalhe que agitou os bastidores foi a visita do pastor Carlos Velozo ao prefeito Eduardo Siqueira Campos, ainda na terça-feira, horas antes do anúncio das exonerações. A cena alimentou especulações: teria sido o próprio Eduardo quem pediu a cabeça do seu principal homem de confiança? Para alguns, sim — uma estratégia para conter atritos, já que Carlos Júnior era visto como o “olho e ouvido” de Eduardo dentro da Prefeitura, mantendo o prefeito afastado ciente de cada passo do vice. Para outros, a exoneração foi para liberar Carlos Júnior de compromissos oficiais e deixá-lo livre para ajudar na articulação política e jurídica da defesa de Eduardo.
Apesar de todo o clima, o prefeito interino tem dito a aliados e à imprensa que não há racha algum — mas a movimentação reforça que, nos bastidores, a fissura política é visível, com o Agir e o Grupo Monte Sião consolidando espaços enquanto o núcleo original de Eduardo se recolhe. A possibilidade de novas saídas segue no radar, com nomes como a primeira-dama Pollyana Siqueira Campos, a filha Gabi Siqueira Campos (Secretária de Bem-Estar Animal), Soró Silva (Secretário de Governo), Rolf Vidal (Casa Civil) e Élcio Mendes (Secom) sendo citados como próximos na fila de eventuais mudanças ou entregas de cargos.
Por ora, a prioridade do grupo ligado a Eduardo é clara: garantir sua liberdade e reorganizar forças. Enquanto isso, o comando interino se fortalece em núcleos estratégicos — e a política de Palmas segue viva como sempre.
Aguardemos os próximos capítulos.
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