Araguaína assiste, mais uma vez, ao velho embate entre projeto coletivo e vaidade política. O sonho da construção de uma Escola de Tempo Integral no Setor Costa Esmeralda, uma necessidade gritante de uma região que carece de estrutura, e que começou a ganhar corpo nos últimos meses. Mas, como tudo na política, nem os sonhos escapam das disputas de protagonismo.
Na sessão do dia 28 de abril na Câmara Municipal, o tema voltou ao centro do debate. O vereador Robert Delmondes (PRD) trouxe à tona uma verdade muitas vezes ignorada nos bastidores: esse projeto não tem dono. Ou melhor, tem vários. Entre eles, nomes como o do ex-deputado Elenil da Penha, que por anos levantou a bandeira da educação no Costa Esmeralda, e do deputado Jorge Frederico (REP), que tem um histórico inegável de conquistas para a rede estadual de ensino em Araguaína.
A fala do Secretário Estadual de Educação, Fábio Vaz, ao citar apenas o nome do deputado Marcus Marcelo (PL) como articulador da proposta, acendeu o pavio da indignação. A reação do vereador Flávio Cabanhas (PDT) foi imediata. Aliado de Jorge Frederico, Cabanhas não só defendeu o histórico do deputado como também levantou críticas à atuação da Superintendência Regional de Ensino — questionando se, de fato, todos os atores envolvidos estão comprometidos com a coletividade ou se apenas defendem palanques.
Essa não é uma briga por holofotes à toa. Estamos falando de uma das maiores obras sociais que poderiam ser implementadas no setor mais populoso da cidade. E quando isso acontece, é natural — mas não saudável — que alguns queiram “carimbar” a conquista com sua digital exclusiva.
A comunidade do Costa Esmeralda, no entanto, está pouco preocupada com quem vai cortar a faixa na inauguração. Ela quer a escola. Quer os filhos em segurança, aprendendo, sonhando. E quem verdadeiramente estiver comprometido com esse projeto precisa entender que a população não está interessada em placa com nome de político. Está interessada em porta de sala de aula aberta.
A escola não pode ser loteada entre partidos. Ela deve ser construída com a união de forças. E se todos os nomes citados — Marcus Marcelo, Elenil da Penha, Jorge Frederico — realmente se importam com a educação de Araguaína, que provem isso com trabalho conjunto, sem disputas de vaidade.
Araguaína não quer saber quem vai aparecer na foto. Araguaína quer ver o muro sendo levantado, as carteiras sendo instaladas e as crianças sendo acolhidas.
A história vai lembrar quem ajudou — mas também quem tentou transformar um projeto coletivo em capital eleitoral. Que essa escola seja o início de uma nova forma de fazer política: com mais entrega, menos ego.
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