Ainda era cedo, quando 13 meninos javaés acordaram na Aldeia Boto Velho, na Ilha do Bananal. Com a refeição preparada pelas mulheres, eles se sentaram com os homens, no pátio da aldeia, durante a celebração para se tornarem adultos, o Hetohoky já tinha começado.
A celebração indígena Hetohoky significa Casa Grande, local construído para o ritual de transição dos meninos para a vida adulta, e acontece entre o povo Iny, formado por Karajá, Karajá-Xambioá e Javaé. Na Aldeia Boto Velho, participaram meninos com idade entre 10 e 18 anos. A cerimônia começou no dia 05 de julho com previsão de término entre os dias 03 a 07 de agosto.
A escolha da época em que o menino participaria do ritual foi da sua família. “A própria família procura o pajé para passar pelo ritual”, relata o cacique da Aldeia Boto Velho, Wagner Mairea Javaé, que também é pai de um dos meninos participantes do Hetohoky. A cerimônia não era realizada na aldeia há 20 anos. “Tive cinco filhas, depois [nasceu] meu rapaz que está participando agora, então esse intervalo de 20 anos é porque só havia mulheres em casa. Com a chegada dele, me preparei para que isso acontecesse, porque ele tem que passar pelo ritual”, explica o cacique Mairea Javaé.
Para a cerimônia, eles foram adornados “pelos familiares com pinturas e plumas dos pássaros, os enfeites [são utilizados] para diferenciar que eles estão passando pela fase de menino para rapaz”, esclarece o cacique Mairea Javaé.
Várias atividades compõem o ritual, a partir da condução dos meninos pelos guardiões (chamados de Aruanã) e por seus padrinhos até a Casa Grande (hetohoky), onde permanecem durante cerca de 21 dias, até o final da cerimônia. De lá, saem para acompanhar atividades do ritual, como caça, cabo de guerra e luta corporal entre seus padrinhos e guerreiros, ou receber o cuidado de suas mães ao passarem o óleo de tucum em suas peles como repelente. Só entram na Casa os padrinhos e guardiões, os quais acompanham todas as saídas dos meninos.
Enquanto estiverem na Casa Grande, recebem ensinamentos sobre seu povo. “A partir do momento que eles vêm pra cá para se tornarem adultos, aprendem como conduzir aqui dentro, aprendem a ter disciplina e respeito com as pessoas. Aqui esses meninos recebem conselhos de como ser uma boa pessoa”, conta o cacique Mairea.
A divulgação e valorização de costumes e tradições da população indígena é uma das estratégias para promover a preservação dos patrimônios imateriais adotada pela Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot), com, por exemplo, a participação presencial em festividades e celebrações para produção de materiais fotográficos e audiovisuais visando também a construção de um acervo sobre a vida dos povos originários no Tocantins.
Eleições 2026 Não votou no 1º turno? Prazo para justificar ausência vai até 3 de dezembro
Medidas adotadas Sefaz bloqueia ataque cibernético e adota medidas preventivas para proteger recursos públicos
Eleições 2026 Tocantins terá transporte intermunicipal gratuito no dia das Eleições 2026
Eleições 2026 Cerimônia pública para emissão da zerésima do Sistot acontece na tarde de véspera das eleições, 3 de outubro
Eleições 2026 Justiça Eleitoral do Tocantins reúne forças de segurança na reta final para o 1º turno das Eleições 2026
Suspensão Parque Estadual do Lajeado terá visitação suspensa em 4 de outubro Mín. 25° Máx. 44°
Mín. 26° Máx. 38°
Tempo limpoMín. 28° Máx. 41°
Tempo nublado
Política Com votação histórica Eduardo Gomes é reeleito senador
Plantão Policial Ação do MPTO resulta em pena de 40 anos de prisão para homem que estuprou a enteada e agrediu o irmão dela
Curta Tocantins Escritores lançam segundo livro sobre saúde mental, fé e prevenção do suicídio, em Palmas
Eventos Matriz Nossa Senhora Aparecida anuncia festa da padroeira com celebração dos 30 anos de comunidade paroquial