Os bastidores da política tocantinense seguem cada vez mais intensos. Nos últimos dias, matérias e discussões envolvendo gabinetes, casas populares e outros temas ligados ao grupo do pré-candidato Vicentinho Júnior passaram a ocupar espaço no debate político. Para muitos observadores, esse movimento pode indicar uma estratégia de desgaste da oposição antes mesmo do início oficial da campanha.
Independentemente da origem dessas narrativas, uma reflexão merece ser feita: eleições raramente são vencidas apenas explorando fragilidades dos adversários. O eleitor, principalmente nos momentos decisivos, costuma procurar algo maior. Procura propostas, liderança, capacidade de gestão e soluções para os problemas reais do Estado.
A pré-candidata ao Governo do Tocantins, senadora Professora Dorinha, reúne uma das maiores estruturas políticas já vistas em uma disputa estadual. Conta com o apoio do governador, de dezenas de prefeitos, deputados estaduais, deputados federais e importantes lideranças municipais. Soma-se a isso o respaldo de uma gestão estadual bem avaliada e uma ampla capilaridade política.
Em tese, seria um cenário extremamente favorável.
No entanto, as pesquisas divulgadas nas últimas semanas desenham um quadro mais competitivo do que muitos imaginavam. Os números mostram uma disputa equilibrada e apontam crescimento dos principais adversários. Isso demonstra que a popularidade de um governo, por mais consistente que seja, não é automaticamente transferida ao candidato apoiado por ele.
Aprovação de governo e intenção de voto caminham juntas em muitos momentos, mas não são a mesma coisa.
Talvez por isso o ambiente político tenha se tornado mais intenso. Porém, transformar a campanha em uma sequência de ataques ou tentar pautar exclusivamente os problemas dos adversários pode acabar produzindo exatamente o efeito contrário.
Existe uma teoria frequentemente utilizada por estrategistas políticos inspirada no Poço de Piche de La Brea. Os pesquisadores descobriram que havia mais fósseis de predadores do que de presas naquele sítio arqueológico. A explicação é simples: muitos predadores ficaram tão concentrados em perseguir suas presas que acabaram presos na mesma armadilha.
Na política, a metáfora continua extremamente atual.
Campanhas que concentram energia excessiva em atacar adversários correm o risco de deixar de apresentar aquilo que realmente interessa ao eleitor: um projeto de futuro. Enquanto discutem o passado ou tentam desconstruir o concorrente, deixam de ocupar o espaço onde as eleições normalmente são decididas: o campo das ideias, das propostas e da esperança.
A história política do Tocantins oferece exemplos disso. Durante muito tempo acreditou-se que a chamada "máquina" era praticamente imbatível. Mas a derrota de um governador em busca da reeleição mostrou que nenhuma estrutura é maior do que a vontade popular. Desde então, o eleitor tocantinense parece compreender cada vez mais que seu voto não pertence a governos, partidos ou grupos políticos. Pertence exclusivamente a ele.
Como costuma dizer um experiente analista político:
"Política não se faz com os problemas dos adversários. Política se faz apresentando soluções para os problemas da população."
Essa talvez seja a maior lição desta pré-campanha.
A eleição de 2026 não será decidida pela campanha que produzir o ataque mais duro, a manchete mais barulhenta ou a crítica mais contundente. Será decidida por quem conseguir convencer os tocantinenses de que conhece os desafios do Estado e possui preparo, equilíbrio e capacidade para enfrentá-los.
No fim das contas, campanhas passam. Mandatos terminam. Governos mudam.
O Tocantins permanece.
E é justamente por isso que o verdadeiro vencedor desta eleição deve ser a população tocantinense, que espera menos disputas pessoais e muito mais compromisso com o futuro do Estado.