Se há uma característica que marca a trajetória política do senador Irajá Abreu, é a capacidade de transformar aliados em adversários e abrir crises dentro do próprio grupo.
Nos últimos dias, o senador voltou ao centro de uma turbulência política ao anunciar Ivanete Lima como pré-candidata ao Senado e Mauro Carlesse como suplente de sua chapa, movimento que expôs um conflito público com o presidente estadual do PSD e pré-candidato ao Governo, Laurez Moreira. A divergência deixou de ser apenas de bastidores e passou a ser travada diante da imprensa.
O episódio chama atenção porque ocorre justamente após Laurez fortalecer o PSD no Tocantins e construir uma aliança que, segundo ele, previa uma composição diferente para a disputa ao Senado. Agora, a impressão é de que o próprio partido entra na pré-campanha dividido, obrigando suas principais lideranças a gastar energia resolvendo conflitos internos em vez de enfrentar os adversários.
Na política, grupos fortes costumam crescer quando demonstram unidade. Quando a disputa acontece dentro da própria aliança, quem tende a sair enfraquecido é o conjunto do projeto. É essa percepção que hoje ronda o PSD tocantinense.
Ainda é cedo para medir os efeitos eleitorais desse movimento. A campanha está apenas começando, alianças podem ser recompostas e o cenário pode mudar. Mas, neste momento, a maior consequência parece ser o desgaste interno e a abertura de espaço para que adversários explorem as divergências do grupo. Resta saber se haverá capacidade política para reconstruir esse entendimento ou se a crise continuará produzindo reflexos ao longo da campanha.