A velha máxima de que “quem acha que sabe demais acaba esquecendo das consequências” parece se aplicar com precisão ao atual cenário político tocantinense. A maior e mais estruturada chapa de deputado federal pode estar à beira de uma implosão — não por ataques externos, mas por movimentos internos dos próprios aliados e dos estrategistas que acreditavam ter tudo sob controle.
O quadro que se desenha é de ruptura em cadeia.
O União Brasil pode perder, de uma só vez, três nomes considerados competitivos: Jair Farias, Lucas Campelo e Luana Nunes.
Ao mesmo tempo, a possível saída de Vicentinho Júnior para assumir o PSDB provoca um rearranjo ainda mais profundo no tabuleiro.
No PP, o vácuo de comando abre espaço para que a deputada Janad Valcari assuma a presidência da legenda, redefinindo forças internas e ampliando a instabilidade.
O efeito dominó atinge diretamente a Federação União Progressista, que passa a enfrentar um processo de desestruturação política — uma verdadeira implosão estratégica provocada por disputas, reposicionamentos e cálculo excessivo.
Mas há um elemento ainda mais delicado nessa engrenagem.
O maestro desse movimento, ao que tudo indica, pode ter pensado primeiro em si — e apenas depois no conjunto da obra. Agora, resta saber se o grupo terá maturidade política para recuar, reorganizar as peças e recalcular a rota, ou se seguirá adiante apostando que ainda é possível sustentar a estratégia original. Nos bastidores, o tempo passa a ser o fator mais decisivo: corrigir o curso exige rapidez, mas também exige reconhecer que o planejamento pode ter nascido desalinhado desde o início.
E como costuma acontecer quando certezas ruem, abre-se espaço para quem antes não estava no radar.
Siglas que a análise tradicional descartava voltam ao jogo com força. Nos bastidores, muitos já apontam o Podemos e o MDB como possíveis destinos — e novas plataformas de poder — para esses nomes que até pouco tempo eram considerados peças garantidas do principal bloco competitivo.
No fim, a política reafirma sua lógica mais constante: quem acredita dominar o jogo sempre descobre que ainda há muito a aprender — especialmente quando decisões individuais começam a redesenhar destinos coletivos.
Se a rota será recalculada ou mantida até o limite, as próximas semanas dirão. O que já é certo é que o tabuleiro mudou — e ninguém pode mais tratar o cenário como previsível.