Desde a noite de quarta-feira, a informação sobre o fim do contrato da Renapsi/Demà circulava entre insiders, grupos políticos e veículos independentes. Para qualquer cidadão comum, quando se anuncia o fim de um contrato de um programa que emprega 1.600 jovens, a interpretação é automática: o programa acabou.
E o Governo do Tocantins deixou essa narrativa correr solta por quase 24 horas, sem nota oficial, sem esclarecimento, sem diretriz. Resultado:
➡ A má notícia se instalou.
➡ A repercussão negativa tomou conta da juventude.
➡ Famílias inteiras entraram em pânico.
Somente depois do desgaste consolidado é que o governador Laurez apareceu em vídeo anunciando um novo formato do programa, com aumento da bolsa de aproximadamente R$ 700 para R$ 1.200, e a promessa de ampliar de 1.600 para 3.500 jovens atendidos.
Ou seja: a notícia era boa. Mas chegou tarde.
E chegou com brechas.
O governador não explicou:
• se haverá nova empresa responsável;
• se o programa será municipalizado ou estatizado;
• se mudará de nome;
• qual será o modelo jurídico da nova contratação;
• e quando efetivamente os jovens retornarão às atividades.
O que fica claro, politicamente, é que o Governo tropeçou na comunicação.
Deixou o boato virar verdade emocional antes de apresentar a decisão oficial.
Uma gestão que pretende ampliar investimentos na juventude não pode permitir que a narrativa negativa se instale antes da positiva, especialmente em um tema socialmente sensível.
É o típico caso de:
“Deixar a crise nascer para só depois tentar apagá-la.”
E isso tem custo.
Custo político, custo de imagem e custo de confiança.
Se a mudança é para melhor — como o Governo afirma — faltou esperteza estratégica para anunciar, explicar e conduzir o processo com transparência desde o início. O Estado poderia ter mostrado eficiência e planejamento.
Optou, porém, por correr atrás do prejuízo.